Priscilla Du Preez (unsplash.com)
Lembro-me de quando era eu criança e acreditava em tudo o que lia, porque quando se é criança se acredita em tudo e não só no que falam. Certa vez, li como era bom e até melhor se ter uma amizade com o sexo oposto, no meu caso, ter um melhor amigo homem e fiquei encantada com a ideia. Principalmente por nunca ter me encaixado em nenhum grupo com meninas, mesmo que tivéssemos a mesma idade. Sempre me sentia como uma amiga reserva para todos; alguém faltou na aula hoje? Atenção toda em mim e olhe lá.
E deixando os preconceitos de lado, de que isso não existe ou que o cara tem que ser gay, até porque não sabia o significado de nenhum dos dois. Eu não me importava com isso. Via também o clássico em filmes que era sempre um trio com dois homens e uma mulher, só imaginava como seria porque era aquilo que eu queria para mim.
Mas, poxa, eu já era tímida com meninas - que deviam ser a mais fáceis, não conseguia fazer amizade direito, então coloquei na cabeça que tinham que ter amigos meninos. Toda vez que me lembro, preferia não fazer. Acho vergonhoso o que fazia por essa ideia boba. Não era nada gritante ou tão humilhante, entretanto é estúpido para a "eu" de hoje em dia.
Todas às vezes que deixei de ficar perto de minhas amigas para tentar conseguir o posto de colega de um menino - porque nem amiga eu acho que me consideravam, apesar de sempre me sentir como segunda opção para elas, talvez se eu tivesse me feito presente. As poucas vezes que sentia inveja de algumas que conseguiam mais atenção que eu. Não via que era atenção em outro sentido, só via o que eu queria para mim, eles sendo amigos e eu, sem me encaixar. Essa ideia boba se prolongou até meus 15 anos, quando tomei um soco muito forte da vida.
Hoje vejo toda essa minha jornada frustrante com vergonha, mas às vezes consigo rir comigo mesma, devo confessar. Percebo hoje que eu fazia tudo isso apenas para tentar ser notada por alguém, consegui me encaixar e fazer parte de algo na vida. Aprendi quebrando a cara que não posso acreditar em tudo que leio, ou melhor, que não devo achar que o que é bom para os outros será bom para mim. Que eu não devo considerar as pessoas como amigas caso não seja recíproco. Por causa de amizades platônicas quebrei muito a cara e no final pude ver quem realmente eram meus amigos.


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